
Estreou ontem (09/06), mas só assisti hoje (10/06), ao espetáculo que comemora os 15 anos de carreira de Teuler Henrique e Claudinei de Souza. “Tupi ou não tupi”, segundo o release quer trazer a tona o questionamento quanto ao descobrimento do Brasil, “afinal, quem descobriu o Brasil? Ou melhor, o Brasil foi mesmo descoberto?” – trecho do release.
No enredo um cientista fadado da criação de máquinas e artefatos sem qualquer valor cria uma máquina que permite viajar no tempo seguindo as teorias de Einstein. Outros dois cientistas conferem sua criação desconfiados de que este seria mais um fracasso. Eles viajam no tempo e ficam presos no passado enquanto um casal de índios chega ao presente.
Tanto o nome do espetáculo quanto a pretensão de seu release nos direciona ao manifesto antropofágico de Oswald de Andrade. Desta referencia à antropofagia, proposta no texto “Tupi or not tupi” não há nada. Oswald declarava: “Só a antropofagia no une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente. (...) Tupi or not Tupi, that is the question”.
Sua proposta era simples. Assim como os indígenas praticavam o canibalismo de forma ritual, para absorver o poder dos inimigos, os artistas e intelectuais deveriam canibalizar a influência estrangeira (inegavelmente mais forte) e, no processo de digestão, agregar a identidade e a cultura brasileiras, criando uma arte, ao mesmo tempo, nacional e universal.
É mais ou menos isso que Oswald faz com a célebre frase de Shakeaspeare (“ser ou não ser, eis a questão”). O tupi engole a clássica frase de Hamlet e subverte o inglês, deixando no ar uma irônica questão sobre as raízes e a identidade de nosso povo. Ironia que percorre todo o texto, em ótimas tiradas como “Nunca fomos catequizados. Fizemos foi Carnaval”
O questionamento proposto pelo espetáculo não se concretiza. Banaliza-se numa viagem de um casal de índios ao nosso tempo, que o cientista inventor da máquina do tempo transforma em uma brincadeira que ele faz o papel do Page. Assim, esqueceram da proposta inicial: trazer à tona questionamentos quanto à origem do Brasil.
Por falar no casal de índios, a índia tem um português invejável... como poucos, deveria ser estudada pela FUNAI.
O cenário nos leva ao topo de algum lugar, só se vê as cabeceiras das casas, seus telhados e lá no alto o laboratório deste cientista. A luz também é boa. Os atores estão desnivelados, mas todos em cena têm bastante potencial... onde está o erro?
A direção!
As soluções são patéticas e não houve equalização entre os atores, são figuras fortes em cena manchadas pelo excesso de música, pela ineficácia de microfones e pela latente ingerência de conflitos, esta ultima perceptível.
Os microfones em nada acrescentaram durante os textos, são boas ferramentas durante o canto mas são os vilões durante todo espetáculo. Ou se ajusta com um bom sonoplasta ou só os usa durante o canto! Isto é uma tarefa urgente e precisa ser feita.
Me chamou a atenção uma história contada pelo Page quando está só em cena. É a história de um pequeno indizinho, mas ela não tem correlação nenhuma com o restante do espetáculo, é uma história jogada no meio do nada.
Os primeiros minutos deste espetáculo são cruciais, eles precisam prender a atenção do espectador, mostrar o caminho que será seguido, identificar os personagens e fazer o conjunto chamado espetáculo funcionar, tudo isso ao mesmo tempo. Não consegue isto nos fazendo ficar desatentos e esperar logo pelo final. Não pode ser assim, tem de ser gostoso de se ver do começo ao fim, não pode dar vontade de ir embora ou sensação de “acaba logo”. O texto ainda contribui fortemente.
Ao final todos entram na máquina como num jogo de “essa história continua”, ao som cantado de “meu Brasil brasileiro”. Com o questionamento esquecido terminamos todos em samba... ou seria em funk?
No enredo um cientista fadado da criação de máquinas e artefatos sem qualquer valor cria uma máquina que permite viajar no tempo seguindo as teorias de Einstein. Outros dois cientistas conferem sua criação desconfiados de que este seria mais um fracasso. Eles viajam no tempo e ficam presos no passado enquanto um casal de índios chega ao presente.
Tanto o nome do espetáculo quanto a pretensão de seu release nos direciona ao manifesto antropofágico de Oswald de Andrade. Desta referencia à antropofagia, proposta no texto “Tupi or not tupi” não há nada. Oswald declarava: “Só a antropofagia no une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente. (...) Tupi or not Tupi, that is the question”.
Sua proposta era simples. Assim como os indígenas praticavam o canibalismo de forma ritual, para absorver o poder dos inimigos, os artistas e intelectuais deveriam canibalizar a influência estrangeira (inegavelmente mais forte) e, no processo de digestão, agregar a identidade e a cultura brasileiras, criando uma arte, ao mesmo tempo, nacional e universal.
É mais ou menos isso que Oswald faz com a célebre frase de Shakeaspeare (“ser ou não ser, eis a questão”). O tupi engole a clássica frase de Hamlet e subverte o inglês, deixando no ar uma irônica questão sobre as raízes e a identidade de nosso povo. Ironia que percorre todo o texto, em ótimas tiradas como “Nunca fomos catequizados. Fizemos foi Carnaval”
O questionamento proposto pelo espetáculo não se concretiza. Banaliza-se numa viagem de um casal de índios ao nosso tempo, que o cientista inventor da máquina do tempo transforma em uma brincadeira que ele faz o papel do Page. Assim, esqueceram da proposta inicial: trazer à tona questionamentos quanto à origem do Brasil.
Por falar no casal de índios, a índia tem um português invejável... como poucos, deveria ser estudada pela FUNAI.
O cenário nos leva ao topo de algum lugar, só se vê as cabeceiras das casas, seus telhados e lá no alto o laboratório deste cientista. A luz também é boa. Os atores estão desnivelados, mas todos em cena têm bastante potencial... onde está o erro?
A direção!
As soluções são patéticas e não houve equalização entre os atores, são figuras fortes em cena manchadas pelo excesso de música, pela ineficácia de microfones e pela latente ingerência de conflitos, esta ultima perceptível.
Os microfones em nada acrescentaram durante os textos, são boas ferramentas durante o canto mas são os vilões durante todo espetáculo. Ou se ajusta com um bom sonoplasta ou só os usa durante o canto! Isto é uma tarefa urgente e precisa ser feita.
Me chamou a atenção uma história contada pelo Page quando está só em cena. É a história de um pequeno indizinho, mas ela não tem correlação nenhuma com o restante do espetáculo, é uma história jogada no meio do nada.
Os primeiros minutos deste espetáculo são cruciais, eles precisam prender a atenção do espectador, mostrar o caminho que será seguido, identificar os personagens e fazer o conjunto chamado espetáculo funcionar, tudo isso ao mesmo tempo. Não consegue isto nos fazendo ficar desatentos e esperar logo pelo final. Não pode ser assim, tem de ser gostoso de se ver do começo ao fim, não pode dar vontade de ir embora ou sensação de “acaba logo”. O texto ainda contribui fortemente.
Ao final todos entram na máquina como num jogo de “essa história continua”, ao som cantado de “meu Brasil brasileiro”. Com o questionamento esquecido terminamos todos em samba... ou seria em funk?
"Avião que entra na pista tem obrigação de decolar."
1 comentários:
olá, só queria dizer que o nome da música é:" Aquarela do Brasil", não: "meu Brasil brasileiro".
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